Oncologia Ortopédica • Tumores Ósseos Raros

Adamantinoma ósseo: sintomas, diagnóstico, tratamento e acompanhamento

O adamantinoma é um tumor ósseo primário maligno raro, geralmente de crescimento lento, que apresenta forte predileção pela tíbia. Apesar de seu comportamento frequentemente indolente, pode recidivar localmente e produzir metástases, inclusive muitos anos após o tratamento inicial.

Revisão médica: Dr. Antonio Batalha Castello Neto • CRM-MG 45.708 • RQE 37.482 • SBOT • ABOO
Atualização editorial: 26 de agosto de 2026
Antes de biopsiar: uma lesão suspeita de adamantinoma deve ser estudada por imagem e a biópsia precisa ser planejada considerando a eventual cirurgia definitiva. Amostras pequenas ou pouco representativas podem dificultar a distinção entre adamantinoma, adamantinoma tipo displasia osteofibrosa e displasia osteofibrosa.

Adamantinoma em 60 segundos

O que é? Tumor ósseo primário maligno raro, de origem epitelial.
Onde ocorre? Principalmente na diáfise da tíbia, por vezes envolvendo a fíbula.
Quem acomete? Mais frequentemente adolescentes mais velhos e adultos jovens ou de meia-idade.
Sintomas Dor, aumento de volume, deformidade e, ocasionalmente, fratura.
Diagnóstico Radiografia + ressonância + biópsia planejada + anatomopatologia.
Tratamento Ressecção cirúrgica ampla com margens oncologicamente adequadas.

Resumo para pacientes e famílias

Adamantinoma é um câncer ósseo raro. O nome pode causar confusão, mas ele não é o mesmo tumor conhecido como ameloblastoma da mandíbula. O adamantinoma dos ossos longos surge principalmente na tíbia e costuma crescer lentamente.

Crescimento lento, porém, não significa comportamento totalmente benigno. O tumor pode voltar no local onde foi tratado e, em parte dos pacientes, disseminar-se para outros órgãos, principalmente os pulmões. Algumas recidivas aparecem muitos anos depois do primeiro tratamento.

O tratamento é predominantemente cirúrgico. O objetivo é retirar a lesão em bloco, com margem adequada, e reconstruir o membro quando necessário. A simples curetagem ou retirada incompleta não é considerada tratamento apropriado para o adamantinoma clássico.

Mensagem principal: uma lesão de tíbia descrita como fibro-óssea, multiloculada ou semelhante à displasia osteofibrosa merece correlação cuidadosa entre idade, radiografia, ressonância e anatomopatologia antes de qualquer procedimento definitivo.

Resumo para médicos

O adamantinoma é uma neoplasia óssea epitelial rara, classificada entre os tumores ósseos malignos. O espectro atual inclui o adamantinoma clássico, o OFD-like adamantinoma (adamantinoma tipo displasia osteofibrosa) e a forma dediferenciada, excepcionalmente rara.

A apresentação típica é uma lesão intracortical ou cortico-medular da diáfise tibial, frequentemente multiloculada e lítica, com esclerose periférica variável. A RM é essencial para mapear extensão longitudinal, focos satélites, envolvimento medular e componente extraósseo antes da biópsia.

A correlação radiológico-patológica é especialmente importante no espectro displasia osteofibrosa–OFD-like adamantinoma–adamantinoma clássico. O componente epitelial pode ser escasso e focal, tornando a representatividade da amostra decisiva.

O que é adamantinoma ósseo?

O adamantinoma é um tumor primário maligno do osso caracterizado por componente epitelial neoplásico associado a estroma fibro-ósseo. Representa uma fração muito pequena dos tumores ósseos primários.

Sua localização é muito característica: a maioria dos casos envolve a tíbia, especialmente sua porção diafisária ou diafisometafisária. A fíbula pode estar simultaneamente acometida. Outras localizações são incomuns.

A história natural pode ser longa. Alguns tumores permanecem relativamente indolentes por anos, mas existe risco real de recorrência e metástase. Por isso, “baixo grau” não deve ser interpretado como sinônimo de “sem risco”.

Tipos de adamantinoma

Subtipo Características principais Implicação clínica
Adamantinoma clássico Componente epitelial evidente em estroma fibro-ósseo; comportamento maligno de baixo grau na maioria dos casos. Ressecção ampla; risco de recidiva e metástase exige seguimento prolongado.
OFD-like adamantinoma Predomínio de padrão semelhante à displasia osteofibrosa, com pequenos focos epiteliais. Diagnóstico pode ser difícil em biópsias pequenas; necessita correlação especializada.
Adamantinoma dediferenciado Forma muito rara com transformação para componente sarcomatoso de alto grau. Comportamento mais agressivo e estratégia individualizada em centro especializado.

Adamantinoma e displasia osteofibrosa são a mesma doença?

Não. A displasia osteofibrosa (DOF/OFD) é uma lesão fibro-óssea predominantemente benigna, encontrada principalmente na cortical da tíbia de crianças. O adamantinoma é uma neoplasia maligna.

Entretanto, as duas entidades compartilham características clínicas, radiológicas, histológicas e moleculares. Existe ainda o chamado adamantinoma tipo displasia osteofibrosa, situado morfologicamente entre os dois extremos. Essa sobreposição é uma das razões pelas quais o diagnóstico pode ser desafiador.

Importante: nem toda displasia osteofibrosa evolui para adamantinoma, e a relação biológica exata entre essas entidades continua sendo estudada. O diagnóstico não deve ser estabelecido apenas pela aparência radiográfica.

Sintomas e sinais de alerta

Os sintomas podem ser discretos e de evolução lenta. Entre os mais descritos estão:

  • dor localizada e persistente na perna;
  • aumento de volume ou massa palpável sobre a tíbia;
  • sensibilidade local;
  • deformidade ou arqueamento da tíbia;
  • claudicação ou dificuldade para caminhar;
  • crescimento progressivo de lesão previamente conhecida;
  • fratura patológica, menos frequentemente.

Em alguns pacientes, a lesão é descoberta incidentalmente em uma radiografia solicitada após trauma ou por outro motivo.

Como o adamantinoma aparece nos exames de imagem?

Radiografia

A imagem clássica é uma lesão lítica, excêntrica, lobulada ou multiloculada, predominantemente cortical, muitas vezes descrita como aspecto em “bolhas de sabão”. Pode existir esclerose periférica, expansão óssea e extensão para a cavidade medular.

Ressonância magnética

A RM é fundamental para avaliar extensão intramedular e extraóssea, relação com estruturas neurovasculares, multiplicidade de focos ao longo da tíbia e planejamento cirúrgico. Idealmente deve ser realizada antes da biópsia.

Tomografia computadorizada

A TC pode complementar a avaliação da cortical e da arquitetura da lesão. No estadiamento, a avaliação do tórax é particularmente importante devido à possibilidade de metástases pulmonares.

Nenhum exame de imagem isolado confirma o diagnóstico. A conclusão depende da integração entre clínica, imagem e anatomopatologia.

Biópsia: por que o planejamento é especialmente importante?

A biópsia deve fornecer tecido representativo da área suspeita e, ao mesmo tempo, respeitar o planejamento da cirurgia definitiva. Isso é particularmente relevante no adamantinoma porque o componente epitelial pode ser focal e não aparecer em uma amostra pequena ou mal direcionada.

  • realizar a imagem local adequada antes da biópsia;
  • selecionar área representativa da lesão;
  • planejar trajeto compatível com futura ressecção;
  • evitar contaminação desnecessária de compartimentos;
  • correlacionar histologia com radiografia e ressonância;
  • considerar revisão por patologista habituado a tumores ósseos.

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Quais lesões podem se parecer com adamantinoma?

O diagnóstico diferencial pode incluir, conforme idade, localização e padrão histológico:

  • displasia osteofibrosa;
  • adamantinoma tipo displasia osteofibrosa;
  • displasia fibrosa;
  • osteomielite e outras lesões corticais em contextos específicos;
  • sarcomas fusocelulares;
  • sarcoma sinovial envolvendo o osso;
  • carcinoma metastático, sobretudo em apresentações histológicas incomuns.

Imuno-histoquímica para citoqueratinas e outros marcadores pode auxiliar na demonstração da diferenciação epitelial, mas deve ser interpretada no contexto morfológico e radiológico.

Como é tratado o adamantinoma?

O tratamento do adamantinoma clássico localizado é essencialmente cirúrgico. O princípio é realizar ressecção em bloco com margem oncologicamente adequada, evitando violação tumoral.

Após a retirada de um segmento da tíbia, a reconstrução pode envolver técnicas biológicas, enxertos, fíbula vascularizada, endopróteses ou estratégias híbridas. A escolha depende da extensão do defeito, localização, idade, condição das partes moles e experiência da equipe.

Por que não fazer apenas curetagem?

Procedimentos intralesionais ou ressecções inadequadas estão associados a maior risco de recidiva local. As séries disponíveis apontam a obtenção de margens cirúrgicas livres como um dos fatores mais importantes para controle da doença.

Quimioterapia e radioterapia funcionam?

No adamantinoma convencional, não existe papel estabelecido para quimioterapia ou radioterapia como substitutos da cirurgia adequada. Em doença metastática, irressecável, recorrente ou dediferenciada, a estratégia deve ser individualizada em discussão multidisciplinar.

Adamantinoma pode dar metástase?

Sim. Apesar do crescimento geralmente lento, o adamantinoma clássico possui potencial metastático. O pulmão é o local mais frequentemente descrito, embora outros sítios possam ocorrer.

Uma revisão estruturada publicada em 2026 encontrou taxas de metástase do adamantinoma clássico variando aproximadamente entre 10% e 27% nas principais séries incluídas. Esses números devem ser interpretados com cautela porque a doença é muito rara e os estudos são predominantemente retrospectivos, com possível sobreposição de coortes.

Prognóstico e risco de recidiva

Muitos pacientes apresentam controle de longo prazo após ressecção adequada. Entretanto, o risco não desaparece rapidamente. Recorrências tardias, inclusive após 15 anos, são descritas na literatura.

Na revisão estruturada de 2026, as taxas publicadas de recorrência local do adamantinoma clássico situaram-se aproximadamente entre 15% e 31%. O estado das margens cirúrgicas aparece de forma consistente como variável relevante para o controle local.

Leitura correta desses números: eles descrevem populações publicadas e não permitem prever individualmente o desfecho de um paciente. Subtipo, extensão, tratamento prévio, margens e presença de metástases modificam o risco.

Por quanto tempo é necessário acompanhamento?

O comportamento tardio do adamantinoma diferencia essa doença de muitos outros tumores. A vigilância deve ser prolongada e incluir avaliação clínica do local operado e controle pulmonar de acordo com o risco e o protocolo utilizado.

Como existem relatos de recidiva muito tardia, revisões contemporâneas defendem seguimento de longo prazo e, em alguns centros, vigilância por toda a vida. A frequência e os exames devem ser individualizados.

Fluxo simplificado diante de suspeita de adamantinoma

1Radiografia
caracterizar lesão
2RM
mapear extensão
3Biópsia
planejada
4Estadiamento
incluindo tórax
5Cirurgia
com margem adequada

Quando procurar avaliação em oncologia ortopédica?

Uma avaliação especializada é particularmente importante quando existe:

  • lesão cortical da tíbia de diagnóstico incerto;
  • laudo mencionando adamantinoma ou displasia osteofibrosa;
  • crescimento de uma lesão previamente acompanhada;
  • dor persistente associada a alteração óssea na radiografia;
  • necessidade de decidir se uma lesão deve ser biopsiada;
  • diagnóstico prévio de adamantinoma com necessidade de planejamento cirúrgico ou seguimento.

Perguntas frequentes sobre adamantinoma

Adamantinoma é câncer?

Sim. O adamantinoma clássico é um tumor ósseo primário maligno, geralmente de baixo grau, mas com potencial de recidiva e metástase.

Adamantinoma é o mesmo que ameloblastoma?

Não. Apesar de uma nomenclatura histórica que pode gerar confusão, o adamantinoma dos ossos longos é uma entidade distinta do ameloblastoma odontogênico.

Qual osso é mais afetado?

A tíbia é, de longe, o local mais característico, especialmente a região diafisária. A fíbula pode estar associadamente envolvida.

É um tumor benigno?

Não. O adamantinoma clássico é maligno. Seu crescimento pode ser lento, mas existe risco de recorrência local e metástase.

Displasia osteofibrosa vira adamantinoma?

A relação entre as duas entidades é complexa e ainda discutida. Nem toda displasia osteofibrosa evolui para adamantinoma. A existência do subtipo OFD-like mostra que há sobreposição biológica e morfológica, mas não permite afirmar uma evolução obrigatória.

A radiografia consegue confirmar o diagnóstico?

Não. A radiografia pode sugerir o diagnóstico, mas a confirmação exige correlação com ressonância, biópsia e anatomopatologia.

Adamantinoma precisa de quimioterapia?

Na doença clássica localizada, o tratamento principal é a cirurgia com margem adequada. Quimioterapia não possui papel rotineiro estabelecido no adamantinoma convencional.

Adamantinoma pode voltar depois de muitos anos?

Sim. Recidivas muito tardias são descritas, motivo pelo qual o acompanhamento costuma ser prolongado.

Todo paciente precisa amputar?

Não. Em muitos casos é possível realizar ressecção com preservação do membro e reconstrução. A prioridade é obter controle oncológico com uma extremidade funcional e segura.

Uma biópsia mal planejada pode atrapalhar?

Sim. O trajeto deve ser planejado de modo que possa ser incluído na eventual ressecção definitiva e a amostra precisa ser representativa para evitar erro diagnóstico.

Revisão médica

Dr. Antonio Batalha Castello Neto

Médico ortopedista e traumatologista, com atuação em oncologia ortopédica, tumores ósseos, sarcomas de partes moles, metástases ósseas, fraturas patológicas e planejamento de biópsias musculoesqueléticas.

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Referências selecionadas

  1. Jayan R, Rekhi B. Osteofibrous dysplasia (OFD) and adamantinoma: A comprehensive review and updates. Histol Histopathol. 2026;41(1):11-23. DOI: 10.14670/HH-18-950. PubMed.
  2. Adamantinoma of Bone: A Structured Narrative Review of Clinical Outcomes, Recurrence Patterns, and Metastatic Behaviour. 2026. PubMed.
  3. Jain D, Jain VK, Vasishta RK, et al. / revisão contemporânea: Adamantinoma: A review of the current literature. 2023. PubMed.
  4. Osteofibrous dysplasia and adamantinoma: A summary of diagnostic challenges and surgical techniques. 2021. PubMed.
  5. Nascimento AF, Kilpatrick SE, Reith JD. Osteofibrous Dysplasia and Adamantinoma. Surg Pathol Clin. 2021;14(4):723-735. DOI: 10.1016/j.path.2021.06.012. PubMed.

Recebeu um exame com suspeita de adamantinoma ou outra lesão óssea?

A avaliação deve integrar história clínica, imagens e, quando indicada, biópsia cuidadosamente planejada antes de definir o tratamento.

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